segunda-feira, 31 de agosto de 2009

CRISTÃO - UM CRIME PUNIDO PELAS LEIS ROMANAS - PARTE II

PARTE II Entretanto a situação dos cristãos permanece precária. A denúncia pode surgir a qualquer momento. E será cada vez mais freqüente, porque os motivos não faltam. Já vimos a opinião que o povo tinha a respeito dos primeiros cristãos; torna-os facilmente responsáveis pelas calamidades e desastres que se abatem sobre a cidade, a província ou o império. As autoridades romanas estão, portanto à mercê da VOX POPULI, que pode levá-las a violências involuntárias. Porque, mesmo sendo tolerado pelo Estado, o Cristianismo continua face às leis, a ser um crime capital expondo à morte aquele que alguém denuncuar. Tertuliano não deixou de salientar a ambigüidade e a falta da seguinte maneira, na apologética, a resposta de Trajano a Plínio, o Moço. “O príncipe respondeu que com certeza, essas pessoas não deviam ser procuradas, porém que, se eram denunciadas, deviam ser castigadas. Sentença admirável, cheia de contradição! Proíbe de procurá-los como se fossem inocentes, e ordena puni-los como se fossem culpados. Ela os protege e os ameaça, fecha os olhos ao crime mas, assim mesmo, castiga. Oh! Justiça, por que te envolves em tal confusão? Se não procura, por que não os absorve? Se os condena, por que não procurá-los? Em toda província designam-se destacamentos militares para procurarem os malfeitores: contra os que profanam a majestade do Estado e contra os traidores, todo cidadão transforma-se em soldado: PROCURA-SE ATÉ MESMO SEUS ASSOCIADOS E SEUS CÚMPLICES. Somente um cristão é que, não podendo ser procurado, pode ser denunciado, como se uma procura tivesse outra finalidade além da denuncia. Portanto, condenas depois de denunciado aquele que ninguém devia procurar! Se bem compreendo, ele é passível de sanções, não por ser culpado, mas porque, mesmo não sendo procurado, foi no entanto encontrado.” Com o assassinato do últimoAntonio em 193, a época dos imperadores-filósofos está terminada. O tripolitano Septimo Severo (193 – 211) inaugura a série dos imperadores soldados que procuram corrigir o enfraquecimento do poder central e conter a pressão dos bárbaros nas fronteiras. Para eles, os cristãos eram, pelo seu eumento crescente, um fermento de desagragação social e de divisão religiosa, por isso tomam medidas enérgicas contra a igreja. Por essa razão os éditos imperiais proíbem todo proselitismo e toda propaganda. Septimo /Severo é o primeiro em 202, a servir-se de um édito deste gênero. Consegue, assim, desmantelar a escola de Alexandria, dirigida por Clemente, enquanto numerosos catecúmenos sofrem o martírio no Egito, na Africa e na Gália. Se a perseguição abranda-se e chega mesmo a cessar inteiramente, salvos alguns incidentes locais, na Africa e em /Roma, em contrapartida, com Maximiniano (235-238) a sorte dos cristãos torna-se, outra vez, insuportável. Este imperador, levado ao trono por suas tropas, nutre aversão aos partidários do seu predecessor – Alexandre tolerou abertamente as comunidades cristãs – e vota um ódio a todos que recusam, apesar dos perigos, a colaborar na defesa do império. Entretanto, seu ataque limita-se á hierarquia, conforme o confirma Eusébio: “Condena à morte somente os chefes da igreja, como responsáveis da prédica segundo o Evangelho.” Aliás, a perseguição durou pouco tempo, acalmando-se antes do fim do reinado, e só obteve resultados medíocres. Em Roma, os chefes foram condenados ao exílio; na Palestina, Ambrósio e Protecto só tiveram algumas dificuldades; quanto às violências em Capadócia, foram mais o resultado do ódio popular. Depois de Maximianiano a Igreja não mais foi perturbada. Com Felipe, o árabe (244-249), irá até mesmo beneficiar-se da proteção imperial. Dessa maneira, durante a primeira metade do século III, desde severo até Décio, exceto durante a violenta porém curta reação de Maximiniano, o Cristianismo experimentou cerca de meio século de tranqüilidade. O regime esporádico dos éditos atacando o proselitismo não alcançara nenhum resultado: o povo cristão continuava aumentando.

CRISTÃO - UM CRIME PUNIDO PELAS LEISROMANAS- PARTE I

CRISTÃO – UM CRIME PUNIDO PELAS LEIS DO IMPÉRIO ROMANO PARTE I O Império Romano, considerava um delito a pessoa praticar o cristianismo. A maioria dos apologistas esforçou-se para justifica o Cristianismo como religião: queria “limpar” a causa cristã para obter das autoridades, se não a liberdade de culto, pelo menos a tolerância. A presença da igreja na sociedade antiga provoca, além do problema religioso, questões de ordem jurídica. Tertuliano foi o primeiro a abordar esse aspecto da questão. Sempre na Apologética, acusa com a máxima violência a atitude, segundo ele, inqualificável dos poderes públicos. “Acusa-se o nome, persegue-se o nome e somente o nome é suficiente para condenar antecipadamente uma seita desconhecida, um autor desconhecido, porque usam tal nome e não porque são crentes.” Aqui Tertuliano critica os magistrados que condenam os acusados por terem confessado sua qualidade de cristão e não por terem cometido crimes passíveis de punição pelas leis. De fato, se os juízes romanos perseguem assim o delito de Cristianismo, é porque esta religião opõe-se a uma antiga legislação religiosa, datando provavelmente dos tempos da república romana, “velha e confusa floresta de leis”, segundo Tertuliano, porém símbolo dos “costumes ancestrais” que não é concebível violar. De acordo com essas leis, todo novo deus deve ser aprovado pelo Senado, procedimento rigorosamente impossível de ser aceito pelo Cristianismo, por causa do caráter exclusivo do monoteísmo. Assim portanto, em virtude de leis tão vagas quanto veneráveis, o Cristianismo transformou-se em “religião ilícita” e, por conseguinte, podia dar lugar a perseguições judiciárias. Na sua quase totalidade, os imperadores romanos dos dois primeiros séculos não intervieram pessoalmente para que essas leis fossem aplicadas contra os cristãos. Entre eles, somente dois desencadearam as perseguições. A primeira ocorreu em 64, pouco depois do incêndio de Roma, no reinado de Nero. O historiador Tácito relata o acontecimento nos seus Anais: “No entanto, persistiu o rumor desagradável, segundo o qual o incêndio havia sido provocado por ordem do imperador. Para pôr um fim a estes boatos, Nero apontou culpados... Escolheu entre aqueles que o povo abominava e que designava pelo nome de cristãos.” Domiciano foi o responsável pela segunda perseguição entre os anos de 81 e 96, segundo nos conta Eusébio de Cesaréia na sua Crônica: “depois de Nero, Domiciano foi o segundo a perseguir os cristãos.” A MAIORIA DOS PRÍNCIPES, PORTANTO, MOSTROU UMA TOLERÂNCIA NEGATIVA, ABSTENDO-SE DE RECORRER ÀS MEDIDAS LEGAIS QUE ESTAVAM À DISPOSIÇÃO. Na época alguns foram mais longe, tomando a responsabilidade de moderar a aplicação das antigas leis. Como Trajano(98-117) que mostra de maneira bastante clara, na sua carta ao governador de Bitínia, Plinio, o Moço, que proíbe qualquer iniciativa da parte da autoridade: “Meu caro Plínio... não, se deve procurá-los; e se não denunciados e julgados culpados, é preciso puni-los, entretanto com a precaução de que aquele que nega ser cristão e o prove efetivamente adorando nossos deuses, por mais suspeito que seja o seu passado, deve ser perdoado por causa do seu arrependimento. Mas as cartas anônimas, em nenhuma hipótese, podem servir para incriminá-los; seria um mau exemplo, pouco digno da nossa época.” O Imperador Adriano (117-138) merece ser citado juntamente com Trajano, ele que na sua carta ao governador da Ásia Menor, Minucius Fundanus, proíbe as execuções num clima de tumulto popular e ameaça castigar as denúncias falsas. Antonio (138-161) também tomou medidas para proteger os cristãos de qualquer ação da justiça excessivamente sumária. Assim mesmo as perseguições ainda persistem durante os reinados liberais. Porém as reações anticristãs originaram-se da hostilidade popular e não de uma política do Estado, consiente e organizada. Terminaram-se as perseguições sistemáticas e ordenadas pelo poder central, mas continuam os ataques locais, feitos pelas populações com o consentimento dos magistrados romanos. (CONTINUA)

sábado, 8 de agosto de 2009

PALESTINA – JUDÉIA – NAS MÃOS DE HERODES

Herodes, o Grande, construiu o templo de Jerusalém, isto é o segundo templo, o qual foi dedicado no ano 10 a.C. Herodes provocou uma grande transformação na Palestina fazendo construções e melhoramentos nas cidades ou fortalezas. Palácios e fortalezas foram construídos, remodelados à moda helenística, como aconteceu em Jericó (onde era o local em que o rei passava o inverno.) Em Jerusalém cai neve durante o inverno, já em Jericó é muito quente. Herodes tinha a tendência de chamar a atenção para si, e se vangloriava por suas grandes obras. Por isso foi alvo de muita inveja e de ataques de todos os lados. Ataques e insidiosas denúncias ou calúnias junto a Roma. Sua luxuosa corte era o lugar ideal para intrigas urdidas pelos membros de sua família. convém lembrar que a sucessão no trono neste tempo de domínio romano não dependia de herança familiar. O imperador romano é quem nomeava o rei das províncias. Sua irmã Salomé, com seus filhos Aristóbulo e Antipáter tentavam conquistar as graças de Augusto visando a sucessão do monarca. Os intrigantes lançavam mão de todos os meios e Herodes respondeu com violência. dois de seus filhos, Alexandre e Aristóbulo, tanto fizeram que Herodes, dependendo do apoio do imperador que os havia destituído, viu-se obrigado a mandar estrangulá-los. Seu outro filho, Antipáter, foi condenado à morte por Roma e executado cinco dias antes de o próprio Herodes, idoso e minado pela doença, rodeado de invejosos e de inimigos falecer no ano 4 a.C Foi neste intere que nasceu em Belém da Judéia um menino, de uma família pobre e desconhecida, e que viria a ser alvo do sucessor de Herodes o grande.

A sucessão de Herodes não se fez sem dificuldades; e a testamento que ele deixara em favor do seu filho Arquelau provocou rivalidades e lutas sangrentas. Par ocasião da Pascoa do ano 4 a.C., enquanto Arquelau estava em Roma, para fazer valer as seus direitos, um levante provocado pelos Fariseus foi violentamente reprimido pelo exercito, fazendo três mil vítimas. Uma embaixada judaica (independente de Arquelau) havia, também, ido a Roma para solicitar autonomia, recusando a autoridade de Arquelau. No entanto, o imperador, influenciado pelo discurso de Nicolau de Damasco, um orador que havia apoiado Herodes, confirmou os direitos de Arquelau, não mais a nomeando rei, porem etnarca: ele recebia a Judéia, a Samaria e a Idumeia, enquanto Herodes Antipas recebia a Galiléia e a Pereia; Filipe, um outro filho de Herodes, foi nomeado tetrarca de minguadas terras em Aurinitis e Traconitis, a nordeste da Galiléia. Algumas cidades gregas, como Gaza, Hipos e Gadara, recobraram sua independência. Com isso, a realeza herodiana terminava e seu território foi dividido. Ora, na Palestina, as levantes e as agitações continuavam. Par toda parte formavam-se facções contra Roma ou contra as cidades não judaicas, com freqüência lideradas por aventureiros que procuravam tirar proveito das desordens para fazer fortuna ao adquirir renome. A inépcia de um enviado de Augusto a Síria, Sabino, agravou mais ainda a desordem. Sabino ficou sitiado na Antônia de Jerusalém por uma multidão hostil. Varo, então governador da Síria, foi obrigado a intervir militarmente. Mas, quando este voltou para Antioquia, as agita90es recome9aram, obrigando-o a voltar bem arrumado: dois mil chefes revoltosos foram crucificados.

Arquelau pode, então, tomar posse. Em seguida, sentindo-se apoiado pela legião romana deixada por Varo em Jerusalém, procurou vingar-se dos que haviam sido hostis para com ele. Augusto tomou conhecimento dos excessos cometidos pelo etnarca, convocou-o a Roma e, depois de um processo, enviou-o para 0 exílio em Viena, as margens do Reno onde ele morreu.

A Judéia foi transformada, então, em província pretoriana e a cidade de Cesárea (fundada por Herodes) tornou-se a capital e Antipas e Filipe conservaram 0 governo que Augusto Ilhes havia confiado.

as Zelotes e os Fariseus receberam com alegria a resolução que os livrava de um soberano detestado e lhes permitia transformar Jerusalém numa cidade unicamente religiosa sob a vigilância do pretor que, em geral, residia em Cesárea, porem ia, com freqüência, passar temporadas no palácio de Herodes. A fortaleza Antônia estava ocupada pelas tropas romanas encarregadas de manter a ordem.

O pretor romano tinha todos os poderes: administrativo, militar e judiciário. Perante ele, 0 Sinédrio, ou assembléia dos doutores da lei, dirigido pelo sumo sacerdote, constituía a mais alta autoridade local, subordinada, todavia a do pretor, que podia se arrogar o direito de nomear o sumo sacerdote. Entretanto, continuava existindo uma hostilidade latente entre os Samaritanos os e os Fariseus, que tentavam se prejudicar mutuamente. as constantes conluios dessas facções ameaçavam a paz ate nas cidades estrangeiras onde colônias judaicas se haviam instalado. Por isso, 0 imperador Tibério, sucessor de Augusto, não hesitou em mandar embora de Roma todos os Judeus que nela se encontravam, enviando no ano 19 de nossa era 4.000 libertos para a Sardenha a fim de combater os malfeitores.

A paz romana estava, no entanto, ausente na Palestina; havia, apenas, a paz religiosa. as pretores e os governadores sucederam-se sem choques. Em 27 a.D., 0 pretor Poncio Pilatos foi designado para 0 lugar. Mostrou-se enérgico e decidido, mantendo Caifás, o sumo sacerdote nomeado pelo seu predecessor Valério Gracio. Apesar disso, os judeus religiosos não abandonaram a luta e criaram todas as dificuldades possíveis ao Romano, forjando conluios e não hesitando em difama-lo para que 0 imperador 0 destituísse. as escritos do filósofo alexandrino judeu Filon não se abstinham de participar desta campanha de difamação sistemática dos atos do pretor. as Fariseus, em oposição a qualquer forma de governo estrangeiro e só reconhecendo a autoridade de Yahwe, eram difíceis de ser controlados. E, para eles, todos os pretextos serviam para amotinar 0 povo, fosse para protestar contra a presença de insígnias romanas em Jerusalém, ou contra a construção de um aqueduto de 37 quilômetros para trazer água para a cidade. Na Galiléia também existiam seitas, entre as quais ados Zelotes, que constantemente espalhavam a desordem. E dentro desse contexto que se desenrola o processo de Jesus. o Sinédrio, naquela ocasião, quis confundir Poncio Pilatos. Este, que se recusava a ver no homem que Ilhe era apresentado um agitador politico e achando que as divergências religiosas não eram da sua alçada mas sim do Sinédrio, preferiu lavar as mãos: para o pretor romano, aquele era um caso sem nenhuma importância, e a justiça de Roma não devia se envolver. Que importância tinha, para ele, a morte de um pobre judeu? Quanto ao suplicio da cruz, era de usa corrente, naquela época, para a maioria dos condenados a morte de origem humilde.

A condenação de Joao Batista foi da mesma natureza. Como o pregador reunia a sua volta grandes multidões, tinham medo de que ele fomentasse algum distúrbio serio. Herodes Antipas mandou prende-lo e, diante da sua insolência - não ousou ele criticar sua vida particular? - mandou executa-lo. Este era o procedimento normal daquele tempo. Na qualidade de pretor, Poncio Pilatos devia apoiar a policia e garantir a paz.

Com a morte de Tibério, em 37 a.D., um neto de Herodes, Agripa, que era um dos favoritos de Calígula - tornado imperador a custa de diversas maquinações  foi nomeado rei da Judéia. Filipe morreu sem deixar herdeiros e suas terras voltaram para o império. Quanto a Antipas, tetrarca da Galiléia e da Pereia, foi acusado de conspirar contra o império e rapidamente destituído em proveito de Agripa que recebeu, também, a Judéia e a Samaria.

o assassinato de Calígula - que havia ordenado que se colocasse sua estatua no templo de Jerusalém - chegou a tempo para impedir uma revolta declarada dos Judeus, ultrajados com tal pretensão. Claudio, 0 novo Imperador, mostrou mais moderação e, ao mesmo tempo que mantinha Agripa no trono de Jerusalém, restituiu a liberdade de culto aos Judeus.

Agripa, herdeiro do reino de Herodes, 0 Grande, quis mostrar-se um rei judeu e se fez notar pela sua piedade. Para agradar aos habitantes de Jerusalém, começou a construir uma terceira muralha em volta da cidade; porem, sua morte, em 44 a.D., fez com que os trabalhos fossem abandonados.

O fato de a Judéia voltar a ser uma província pretoriana e a chegada de novos pretores reavivou ainda mais a inimizade que existia entre o exercito e os Samaritanos (ou Sebasteanos) de um lado, e os judeus fanáticos de Jerusalém, do outro. Numerosos incidentes tornaram a pretoria uma tarefa árdua. Malfeitores percorriam 0 pais, pilhando e assassinando. Nenhum pretor, fosse sob 0 reinado de Claudio ou de Nero, conseguiu impor a ordem no pais; e as exploos6es de revolta popular ocorriam sob qualquer pretexto. Ap6s as maquinay6es do pretor Floro, os incidentes multiplicaram-se e os Zelotes passaram a atacar os Romanos onde quer que estes se encontrassem. Em 66 a.D., fanáticos sitiaram a Antônia e, na maioria das outras cidades da Judéia, os Judeus extremistas esforçavam-se em provocar distúrbios, aliando 0 terrorismo aos assaltos e não hesitando em raptar pessoas influentes para obter, em troca, a liberdade dos seus companheiros aprisionados. 0 massacre da guarnição de Antônia, que havia saído da fortaleza com a promessa de que os soldados teriam suas vidas respeitadas, provocou enorme reação nos meios não judaicos, especial mente na Cesárea, onde os judeus foram massacrados ou enviados para as galeras pela população e por Floro.

Bandos de judeus percorreram o pais, destruindo a ferro e fogo as aldeias, ate mesmo as israelitas. As cidades moderadas e helenizadas reagiram, perseguidor os judeus que se encontravam dentro dos seus muros. Fora da Judéia, em Alexandria, os Judeus se opuseram com tal violência aos Gregos que as legi6es romanas tiveram que intervir. E então que 0 legado da Síria, Cestio Galo, enviou a 12." legião e numerosos contingentes aliados para a Judéia, a fim de castigar os rebeldes e restabelecer a ordem. Depois de retomar algumas cidades, chegou ate os muros de Jerusalém mas, talvez por indecisão, deu ordem de retirada. Os Judeus, então, lançaram-se a sua retaguarda, infligindo-lhe pesadas perdas.

Entretanto, em Jerusalém, onde os Zelotes conduzidos por Menaem triunfavam, era grande o número

de judeus que s6 desejavam a paz e reprovavam, intimamente, 0 terrorismo dos fam Hicos; e a maioria deles abandonou a cidade. Com a morte de Menaem, a cidade dividiu-se em facções: os Zelotes (também divididos), os Fariseus, que tomaram o poder e os Saduceus moderados.

Nero, informado dos acontecimentos, decidiu enviar um dos seus generais, Vespasiano, acompanhado de seu filho Tito, a frente de um exercito de cerca de 60 mil homens, para pacificar 0 pais. Pacificação significa guerra. E esta primeira guerra judaica foi total. as rebeldes fortificaram-se nas suas cidades e as legiões romanas, que já haviam conhecido situações mais difíceis, não lhes deram nenhuma trégua. A tomada da fortaleza de Jotapata, na Galiléia, provocou a submissão desta província. a comandante judeu da Galiléia, Josefo, um Fariseu, era moderado. Bom administrador, teve que se opor com violência ao bando de um exaltado, João de Giscala, que havia conquistado a simpatia de alguns membros do Sinédrio de Jerusalém. Destituído do seu comando pelos doutores da lei, Josefo continuara, entretanto no seu posto e, com habilidade, dirigiu a defesa da fortaleza de Jotapata. Em Jafa (Joppe) os Judeus haviam instalado uma base de piratas e, com a aproximação de Vespasiano, fugiram em seus navios; porem uma súbita tempestade dispersou a frota. Vespasiano, homem sagaz, deu um tratamento cordial a Josefo, cujas habilidades e coragem apreciava, 0 que irritou os Zelotes de Jerusalém que o acusaram de traição.

Todavia, Vespasiano continuou seu avanço vitorioso, atacando sucessivamente todas as cidades on de houvesse uma rebelião contra a autoridade romana. Em Jerusalém, a guerra civil causava estragos. Zelotes vindos da Galiléia pretendiam impor sua lei ao Sinédrio, que procurava organizar a resistência contra os Romanos. os Idumeus aderiram aos terroristas mas, depois, os abandonaram; enquanto outros fanáticos, os Sicários (Zelotes extremistas, antigos partidários de Menaem) queriam restabelecer a teocracia, exercendo uma politica de assassinatos.

Joao de Giscala, ao contrario do que seria de se esperar, não fez nenhum esforço para trazer de volta a calma. Senhor do Templo, juntamente com o sacerdote Eleazar ele fez com que 0 terror reinasse, durante algum tempo na cidade. Mas as paixões exacerbavam-se cada vez mais e os combates entre facções sucediam-se aos crimes.

Um chefe de bando chamado Simão Bargiora tentou, então, aproveitar da desordem e conquistar a Idumeia antes de atacar Jerusalém. Conseguiu tomar o santuário de Hebron e avançou em direção a Cidade de Davi, semeando 0 terror a sua volta. Na cidade, entrementes, além das facções religiosas e dos fanáticos de toda casta, defrontavam-se dois partidos regionais: os Galileus de Joao de Giscala, que praticavam a pilhagem e o assassinato fazendo-se passar por civilizados; e os Idumeus (antes aliados de Joao de Giscala, que os havia levado para Jerusalém) que logo se opuseram a sua tirania. Finalmente, os Fariseus, num ultimo esforço para derrotar Joao de Gisscala, abriram as portas da cidade para Simão Bargiora. Porem, uma outra facção havia-se formado, a dos Zelotes da Judéia que, dirigidos pelo sumo sacerdote Eleazar, opunha-se a todas as outras. No entanto ela foi obrigada a aliar-se a Joao de Giscala. A guerra civil se desencadeava, não poupando ninguém.

Em Roma, com a morte de Nero, iniciou-se uma crise de sucessão no Império. Vespasiano, depois de haver reconquistado uma parte da Idumeia e da Judéia, era aclamado Imperador pelo exercito do Oriente. Vitelio, a frente das legiões da Germânia, havia entrado em Roma como senhor e aterrorizava a Italia. Vespasiano, em Alexandria, de onde protegia 0 Egito, aguardava 0 resultado da luta que se havia travado entre os adeptos de Vitelio e os seus partidários. Com

derrota e morte daquele em 69 a.D., Vespasiano Ide voltar a Roma, deixando as operações da Polessia a cargo de seu filho, lito, que voltou as pressas Ira a Judéia com um poderoso exercito acrescido de um contingente egípcio. Em seguida, sitiou Jerusalém, principal foco dos rebeldes, instalando acampamentos em toda a volta da cidade e mandando desimpedir o acesso a esta ultima.

As operações foram demoradas. Se bem que os dois primeiros muros fossem conquistados sem muitas dificuldades, a fortaleza Antônia resistiu obstinadamente e protegia com eficácia 0 primeiro muro. A operação começou na época da Pascoa, mas só em 9 de agosto a fortaleza e o próprio templo seriam tomados. Durante a luta, 0 templo foi destruído pelo fogo e a maioria dos monumentos, entre eles, a Antônia, desmoronaram. Consta dos relatos de Josephus - que se tinha colocado ao lado dos Romanos e tendo, inúmeras vezes, ido exortar os Judeus de Jerusalém a se renderem  que Tito tentara impedir o incêndio ao templo, porem, não conseguiu refrear o ardor da soldadesca que se havia lançado a pilhagem. Tudo o que o fogo havia poupado foi sistemática mente demolido. Restavam, para ser conquistadas as cidades altas e baixas, ainda em poder de grupos que resistiam ferozmente, cujo quartel-general foi instalado no palácio real!. Então, os soldados, para desalojar os terroristas, tiveram permissão para incendiar os edifícios e as casas. No dia 25 de setembro, os Idumeus colocaram-se ao lado dos Romanos, os muros do palácio real desabaram sob os golpes do aríete e, finalmente, terminou o massacre. Uma parte da população foi levada em cativeiro, exceto os homens mais fortes que deveriam fazer parte do "triunfo" de Tito. Joao de Giscala, Aprisionado, foi condenado a prisão perpetua e Simão Bargiora foi executado. a produto das pilhagens foi imensa e o arco de Tito, em Roma, ainda mostra, num dos seus baixos-relevos, os soldados romanos carregando os tesouros do templo. Quanto aos prisioneiros, eram tão numerosos que 0 preço dos escravos baixou enormemente, de modo que todo cidadão romano, de qualquer condição econômica, podia possuir vários destes Judeus, que foram ainda mais desprezados.

Tito apressou-se em retornar a Roma onde seu pai, 0 imperador Vespasiano, recebeu-o de braços abertos. Suetonio nos relata 0 encontro entre o pai e o filho vitorioso: "Cheguei, meu pai, cheguei" ...

a grande momenta aconteceu no ano 71 a.D., em Roma, onde Tito se fez aclamar, levando no seu cortejo mais de 700 prisioneiros e os tesouros do templo, entre os quais, 0 celebre candelabro de sete braços em aura e a mesa dos pães da proposição. a triunfo de Tito constou de jogos nos quais os Judeus prisioneiros foram obrigados a lutar entre si ate a morte ou foram atirados as feras.

E a decima legião acampou nas ruinas da Jerusalém deserta.

Poder-se-ia acreditar numa Palestina definitivamente pacificada depois do cerco da ultima fortaleza judaica de Masada, onde se haviam refugiado uns 960 Sicários que preferiram o suicídio a rendição quando os muros caíram sob os golpes do aríete dos Romanos, que haviam feito enormes obras de acesso em volta do rochedo em 73. Ela só estava aparentemente pacificada, porque os Zelotes nao haviam renunciado ao restabelecimento do Estado politico judaico e aguardavam o momento de executar uma vingança terrivel.

Em Jerusalem, a vida recomeçava nas ruinas, graças, em parte, aos soldados da X Legiao, ai acanntonados, e que exploravam a terra cultivavel para sua subsistencia; e, tambem, aos sobreviventes que tentavam ganhar dinheiro vendendo mercadorias úteis aos estrangeiros e aos peregrinos que visitavam a cidade de Davi.

Fonte: a arqueologia e os enigmas da biblia

por Louis Frédéric (Editions Ferni)

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O POVO DE ISRAEL

Por F. Gfeller

Fonte:

In Leituras Cristãs Volume XXXIII

Embora o pensamento de Deus tenha sido o de Se revelar a toda a Criatura, escolheu um povo para receber essa revelação. Foi escolhido segundo a sabedoria de Deus e não por causa de uma qualificação particular. A sua História demonstra claramente que o privilégio de se ser depositário dos oráculos de Deus não requer, de início, um carácter especial de nobreza moral.

a) A Sua Origem

Entre a família humana surgida de Noé, após o dilúvio, Abraão foi o primeiro a ser interpelado por Deus. O conhecimento do verdadeiro Deus tinha-se esbatido, misturando-se com a idolatria nascente. Naquele tempo, o testemunho de Deus era transmitido oralmente, de uma geração a outra. Apesar da longevidade da vida de então, que permitia que, pelo menos, seis gerações pudessem conviver, esta transmissão oral da Palavra de Deus não estava isenta de profundas falsificações. Por isso tornava-se indispensável uma revelação particular da parte de Deus, assim como a acção do Espírito Santo para tornar possível a manutenção da relação entre o homem e Deus.

A chamada de Abraão dá-nos a conhecer dois factos de fundamental importância: a separação, "sai da tua terra e de entre a tua parentela" e a obediência da fé, "e dirige-te à terra que eu te mostrar" (Actos 7:3). São-lhe feitas promessas sem condição alguma em relação com a sua descendência. Essas promessas são depois renovadas a Isaac e a Jacob, que devem ainda esperar o seu cumprimento num país onde são estrangeiros. A história destes três patriarcas está cheia de ensinamentos, e o leitor conhecê4os-á com proveito, lendo o capítulo 12, e seguintes, do livro de Génesis.

Portanto, com Abraão, Isaac e Jacob temos a origem do povo de Israel. O nome de Israel foi dado a Jacob após os seus memoráveis encontros com Deus, aquando do regresso do exílio (Génesis 32:28 e 35:10). Os doze filhos de Jacob converteram-se nos pais das doze tribos de Israel, cuja História enche o Antigo Testamento.


b) A Sua Organização

Como Deus já tinha dito a Abraão, os descendentes do patriarca habitariam durante muito tempo num pais estrangeiro, onde seriam submetidos à escravidão. Isto teve lugar no Egipto, para onde José foi vendido pelos próprios irmãos e onde chegou a ser o Governador do país. Depois de ter chamado para junto de si a sua família, para a livrar da fome, José morre e dá-se uma mudança de dinastia no Egipto. A opressão e a escravatura vieram a ser a porção deste povo, que se tinha tornado muito numeroso durante esse longo tempo. Então Deus suscitou a Moisés, a quem a providência divina introduziu na corte do Faraó, para que ali recebesse todos os conhecimentos que o povo egípcio possuía. São assim os caminhos de Deus, que queria dotar a Israel de um libertador para o conduzir e o ensinar; e não só isto, mas também formar um legislador que escrevesse as leis que Ele lhe ditaria, para as comunicar ao povo.

O advento de Moisés e a revelação que Deus lhe faz no Monte Horeb, diante da sarça ardente, são o ponto de partida da relação de Deus com Israel; mas a saída do Egipto, com o sacrifício da Páscoa e a travessia do Mar Vermelho também fazem parte desse ponto de partida, sob o ponto de vista humano. Desde que o sangue do cordeiro pascal foi espargido à entrada das casas israelitas, o povo foi separado para ser libertado. E uma vez saído do Egipto, através do Mar Vermelho, é conduzido pelo próprio Deus, para vir a ser introduzido na terra prometida a Abraão.

Um povo de mais de dois milhões de pessoas carecia de uma legislação adequada. Porém, como provê-la? É Deus que, mais uma vez, pela disposição dos anjos, dá ao Seu povo uma lei que ficou como um modelo no seu género até aos nossos dias. Nada foi deixado à mercê da fantasia do homem. Tudo assenta sobre o que Deus ordenou a Moisés, quer no Monte Sinai, quer no meio do tabernáculo do testemunho. Tanto para o culto como para a vida corrente, os ensinamentos são sempre comunicados por Deus.


c) O Seu Destino

O pensamento de Deus em relação ao Seu povo foi comunicado a Abraão, foi mencionado a Moisés e foi confirmado uma infinidade de vezes pelos profetas. Foi objecto do louvor de Israel à beira do Mar Vermelho: "Tu os introduzirás, e os plantarás no monte da tua herança, no lugar que tu, ó Senhor, aparelhaste para a tua habitação, no santuário, ó Senhor, que as tuas mãos estabeleceram" (Exodo 15.17). Tal pensamento consistia em morar no meio do Seu povo e em que este fosse totalmente feliz à Sua volta.

Para tornar possível o cumprimento deste desígnio de amor, Deus utilizou todos os meios, indo ao ponto de enviar o Seu Unigénito Filho, mas foi tudo em vão: A lei foi violada, os profetas não foram escutados, e o Filho foi assassinado! Que resta, pois? Cumprirá Deus as Suas promessas, apesar de tudo? A constante rebelião do Seu povo não fará com que os Seus pensamentos mudem em relação a ele? A única resposta a estas perguntas reside na misericórdia divina, como lemos em Romanos 11: " Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis. Porque assim como vós, também, antigamente fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia, pela desobediência deles, assim também estes, agora, foram desobedientes, para também alcançarem misericórdia, pela misericórdia a vós demonstrada. Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia... Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! " (Romanos 11:29-33).

O profeta Miqueias já o declarara no final da sua mensagem: "Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniquidade, e que te esqueces da rebelião do restante da tua herança? O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na benignidade. Tornará a apiedar-se de nós; subjugará as nossas iniquidades, e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar. Darás a Jacob a fidelidade, e a Abraão a benignidade, que juraste a nossos pais, desde os dias antigos" (Miqueias 7:18-20).

Sim, Deus abençoará o Seu povo quando este se voltar para o Senhor, a Quem crucificaram, e quando, com a mais profunda humildade, confessarem o seu crime (veja-se Zacarias 12:10-14). O Senhor Jesus aparecerá em glória perante os olhares admirados do Remanescente futuro, que Lhe dirá: "Que feridas São essas nas tuas mãos?" E Ele responderá: "São as feridas com que fui ferido, em casa dos meus amigos (Zacarias 13: 6). Será então estabelecido o Reino de Justiça e Paz, pelo qual o mundo inteiro suspira, e que levará Israel a desfrutar finalmente das promessas feitas a Abraão há uns quatro mil anos.


d) O Privilégio Deste Povo

Actualmente Israel ainda está em estado de desgraça. O profeta Oseias, já o anunciara, ao dizer: "Põe-lhe o nome de Lo-ruhama, porque eu não me tornarei mais a compadecer da casa de Israel... Póe-lhe o nome de Lo-ammi, porque vós não sois meu povo, nem eu serei vosso Deus" (Oseias 1:6 e 9). (Lo-ruhama significa Desfavorecida, e Lo-ammi quer dizer Não-meu-povo).

No entanto este estado não impede que a bondade de Deus se manifeste sempre para com todo aquele que, de coração contrito, para Ele se volte, seja Judeu ou Gentio. Mas o reatamento das relações privilegiadas de Deus com Israel não terá lugar senão mais tarde, quando a Igreja estiver completa e todos os seus membros reunidos, Judeus e Gentios: "Não quero, irmãos, que ignoreis... que o endurecimento veio, em parte, sobre Israel, até que a plenitude dos Gentios haja entrado. E assim, todo o Israel será salvo... Assim que, quanto ao Evangelho, são inimigos, por causa de vós; mas, quanto à eleição, são amados, por causa dos pais. Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis" (Romanos 11:25-29).

Este povo, colocado sob o Juízo de Deus por causa da sua desobediência, continua sendo, não obstante, um povo privilegiado! "Logo, qual é a vantagem do Judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, sob todos os aspectos, mas principalmente porque aos Judeus foram confiados os oráculos de Deus" (Romanos 3:1-2). Também se diz de Israel: "Dos quais é a adopção de filhos e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto, e as promessas; dos quais são os pais, e dos quais é Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente" (Romanos 9:4-5).

As profecias relativas a Israel enchem a Palavra de Deus. Foram proferidas, desde os tempos antigos, quer pelo próprio Deus, quando Se dirigiu aos patriarcas, quer por Jacob, no magnífico capitulo 49 de Génesis, quer por Balaão nos capítulos 23 e 24 de Números, onde lemos, entre outras coisas: "Eis que este povo habitará só, e entre as gentes não será contado" (Números 23:9). O facto de este povo ter conservado a sua própria identidade, apesar da sua dispersão por todo o mundo e das inumeráveis perseguições que tem sofrido, continua sendo um mistério, demonstrando bem quão verdadeira é a Palavra de Deus Esta "nação alta e polida... povo terrível desde o seu início; nação de medidas e de vexames" (Isaias 18 2) não será Israel no tempo actual? Não será maravilhoso ler tantas vezes nas Sagradas Escrituras descrições proféticas escritas há mais de dois mil anos, referentes a Israel, que correspondem exactamente ao que lhe tem ocorrido, ao que lhe ocorre e ao que lhe há-de acontecer?

A característica deste povo judeu, que tem atraído sobre si o ódio e que tem suscitado a inveja entre os seus vizinhos, corresponde rigorosamente à sua História, tal como nos é revelada na Palavra de Deus. Cego como está quanto a Cristo, sob o império do poderoso enganador, que tem obscurecido o seu coração, utiliza o seu engenho para aumentar o seu orgulho e o seu desejo de domínio. Quando Israel se voltar para o Senhor Jesus, e, com perfeita humildade, reconhecer Aquele que crucificou, terá lugar a sua plena restauração. O potencial dos recursos acumulados há-de servir para a prosperidade do período bendito que então será instaurado. Este povo industrioso saberá tirar proveito do que tiver adquirido durante a sua dispersão, e, elevado então a cabeça das nações, fará beneficiar o mundo dos poderosos meios de que dispuser. (Ver: Números 24:5-7); Deuteronómio 28:1-14; Isaias 60:1 a 61:9).


e) As Tribulações de Israel

Ainda no Egipto, os filhos de Israel conheceram a tribulação. Quando surgiu um novo Faraó, que não tinha conhecido José, decidiu submeter à escravatura o povo israelita, que, a seus olhos, se tinha tornado muito numeroso, e, portanto, de temer, acabando por decretar que fossem assassinados todos os recém-nascidos do sexo masculino, para, desse modo, destruir aquela raça, que o importunava. Todavia, por detrás do Faraó, nesta medida discernimos o próprio Satanás fazendo tudo quanto podia para invalidar a promessa que Deus fizera a Eva em relação à sua semente, que, um dia, havia de esmagar a cabeça da serpente. Muitas vezes Satanás repetiu os seus esforços nesse sentido, indo até ao massacre dos meninos de Belém, mas Deus não permitiu a total realização desses diabólicos intentos.

Outra das astúcias de Satanás consistiu em seduzir o povo de Deus, levando à rebelião contra Jehovah. Ao atrair sobre ele o justo castigo divino, talvez Satanás pensasse que Deus abandonaria esse povo rebelde. Com efeito, desde a travessia do deserto até à deportação para Babilónia, frequentemente se abateram sobre Israel diversos e mui severos castigos. No entanto Deus dá sempre seguimento à Sua misericórdia, actuando por causa do Seu Nome, "para que não fosse profanado diante dos olhos das nações" (Ezequiel 20:9, 14 e 22).

A rejeição do Messias por parte de Israel e a morte de Jesus atraíram sobre este povo um Terrível Juízo. A Jerusalém foi saqueada, destruída, e os seus habitantes dispersos entre todas as nações, como consequência directa do crime do Gólgota.

E desde há perto de dois mil anos que o povo judeu sofre tribulações como nenhuma outra nação jamais conheceu. "Caia sobre nós o seu sangue, e sobre nossos filhos!" (Mateus 27:25), e, com efeito, assim tem acontecido. Os "ghettos" (bairros onde eram confinados os Judeus), os campos de extermínio e as câmaras de gás ainda estão na memória de todos. Satanás está por detrás da cena, não o duvidemos, dado que o seu propósito consiste sempre em prejudicar o cumprimento dos desígnios de Deus; mas estes hão-de realizar-se para glória do Senhor e Salvador nosso, Jesus Cristo, para plena restauração de Israel e para bênção universal. Mas, até que esse acontecimento tenha lugar, haverá ainda um terrível tempo de prova para os judeus: "Tempo de angústia para Jacob; ele, porém, será livrado dela" (Jeremias 30:7).

Esta tribulação sem precedentes, limitada a três anos e meio, é anunciada pelos profetas, pelo Senhor Jesus e pelos apóstolos, e terminará com o glorioso advento do Senhor e a destruição do Anticristo. Este sinistro personagem, que se apresentará como Deus e actuará em seu próprio nome, será recebido pela nação apóstata e muitos o seguirão no seu erro.

No entanto, um Remanescente fiel permanecerá unido ao seu Deus, esperando vigilante a vinda do Senhor. Este grupo, preservado no meio desse terrível período, é representado pelos 144.000 selados do capítulo 7 de Apocalipse, que formarão o núcleo do Israel futuro e a raiz desse novo povo, que será uma bênção na Terra, sob a égide do Rei de Glória.

copiado do site: IRMÃOS.NET

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A IGREJA VERDADEIRA

A Igreja Verdadeira Pr. Roque Lopes de Carvalho Filho Introdução Com tantas igrejas existentes, cria-se uma dificuldade: Qual igreja seguir e em qual acreditar? Quem "pegar o bonde da salvação errado, vai desembarcar no céu errado"? Muitas têm características da igreja verdadeira, mas só com objetivo de atrair as pessoas. A igreja verdadeira não é caracterizada pela prática de expulsão de demônios ou pelo uso do nome de Jesus. Há igrejas que até usam o nome de Jesus, expelem demônios em seu nome, mas ele não as reconhece . Há elementos fundamentais que não podem faltar a uma igreja verdadeira. Vejamos alguns. Serve ao Deus verdadeiro Os hindus crêem em cerca de 300 milhões de deuses. Adoram macacos, elefantes, vacas, cobras e até ratos. Embora se creia na existência de muitos deuses, que elementos os tornam verdadeiros? O apóstolo Paulo disse aos coríntios: Não é somente a letra maiúscula que define um Deus verdadeiro, é a sua natureza (Gálatas 4:8). Um Deus verdadeiro não tem princípio nem fim (Gênesis 21:33). É o criador de todas as coisas (Salmo 102:25) (Isaías 44:24; 45:18). É único (Deuteronômio 6:4) (Isaías 44:6; 46:9). Ele sabe todas as coisas (Isaías 44:7-9). Ele não se deixa manipular através de imagens (Êxodo 20:3-5) (Salmo 115:3-10). Não é uma energia ou uma força impessoal, ele é uma pessoa e se comunica com seu povo (Gênesis 9:8; 12:1) (II Crônicas 7:14). Conhece profundamente o homem (Hebreus 4:13). Um "Deus conosco" (Mateus 1:23), presente entre o seu povo. Que se manifestou em carne, e se fez homem (João 1:14). Só restará um Deus no universo (Jeremias 10:11), o Deus que se manifestou a Israel (Deuteronômio 7:6), e que foi revelado por Jesus Cristo (João 17:3-6). Tem a escritura verdadeira Conta-se que o filósofo francês Voltaire (1694-1778) teria afirmado que a Bíblia, cem anos após a sua morte, seria um livro esquecido, ultrapassado, e empoeirado em todas as estantes em que estivesse. Antes que se completassem os cem anos de sua morte, na casa em que ele residia, abriu-se uma editora de Bíblias. Voltaire não conhecia a Bíblia, pois ela diz: "Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão" (Mateus 24:35). São palavras verdadeiras (João 17:17), de um Deus verdadeiro (I João 5:20). A Bíblia é divinamente inspirada . Ela mergulha profundamente dentro do homem com eficácia, discernindo todo o seu interior (Hebreus 4:12). Nela o homem deve meditar de dia e de noite (Josué 1:8) (Salmo 1:2). Vale a pena ressaltar que alguns céticos, tentando denegrir as palavras da Bíblia, têm afirmado pejorativamente: "Lembrem-se, a Bíblia foi escrita por homens"! Citando as palavras do pastor Paulo Romero, respondemos: "E vocês queriam que fosse escrita por um cavalo?" Deus usou o que era mais óbvio, o homem, ser inteligente e capaz. E a escrita, comum a todos os povos, o meio prático de que sua Palavra passaria de geração a geração (Deuteronômio 6:6-9). Tem o Messias verdadeiro Muitos homens têm vindo ao mundo afirmando que foram enviados por Deus ou foram tidos como deuses: Buda, Maomé, Zoroastro, Confúcio, reverendo Moon, Yuri Tais, e tantos outros. Dizem-se portadores de uma mensagem divina. São eles messias verdadeiros? O que dizem veio de um Deus verdadeiro? quais as credenciais de um verdadeiro messias? Vejamos algumas: O reconhecimento do próprio Deus (Mateus 3:17) (I João 5:9), profecias se cumpriram a seu respeito (Isaías 7:14; 9:6; 11:1-5; 53:1-7), a natureza de sua missão (Lucas 4:14-21), os poderes que possui (Lucas 7:12-15), a autoridade que tem (Mateus 7:29), a capacidade de aproximar o homem de Deus (João 1:29) (I João 1:7), a capacidade de vencer a morte (Lucas 24:1-6), de perdoar pecados (Lucas 5:20), sua origem celestial (João 3:11-13). Napoleão Bonaparte, francês que tentou conquistar o mundo, disse o seguinte sobre Jesus: "Eu tive um reino que desmoronou rapidamente. Onde estão os meus seguidores? Onde estão aqueles que vinham aprender as minhas palavras? Onde estão os impérios que se ergueram na humanidade: babilônios, assírios, gregos e romanos? Todos acabaram assim como o meu. Mas Jesus Cristo ergueu um reino que já dura quase dois mil anos, e não terá fim". Jesus dividiu a história, e sem ele a história é incompreensível. Ele é Senhor, Rei e Deus (Apocalipse 17:14) (Tito 2:13). O Messias verdadeiro traz em suas mãos as chagas deixadas pela cruz, na qual morreu para salvar todo aquele que nele crê (João 20:24-29) (Colossenses 2:13-17). Jesus Cristo é o Messias verdadeiro, todos os outros são falsos (Mateus 24:24). "Jesus não é maior do que Buda, Maomé, Zoroastro, Confúcio, Kardec, ou qualquer outro, Jesus é incomparável". Tem a Mensagem verdadeira Conta-se que um menino de cinco anos estava no gabinete de seu pai fazendo-lhe várias perguntas. O pai, não conseguindo trabalhar, pegou um mapa com todos os países do mundo e recortou-os um por um, pedindo ao menino que os levasse para seu quarto e os colocasse em ordem. Não demorou cinco minutos e o menino já estava de volta com o mapa montado. O pai, espantado com a rapidez do menino, perguntou-lhe como havia montado tão facilmente o mapa. O Menino respondeu: "Havia um homem desenhado do outro lado, do tamanho do mapa, depois que coloquei o homem em ordem, vi que tinha colocado o mundo também". Só há uma forma deste mundo se tornar melhor, é mudar o ser humano, e a Bíblia é o livro que tem esta proposta (João 2:25) (I Coríntios 15:1-4). A mensagem verdadeira é baseada na graça de Deus, arrependimento de pecados, não em méritos humanos. (Atos 17:30) . É uma mensagem de salvação e vida eterna (Atos 16:29-31) (João 3:16). Infelizmente esta mensagem tem sido distorcida, e muitas pessoas já não se aproximam mais de Jesus pela cruz , mas por interesses pessoais. Várias tendências teológicas têm surgido, distorcendo a verdadeira mensagem da salvação: unção do riso, vômito do Espírito, maldição hereditária, regressão, dente de ouro, teologia da prosperidade. Vale a pena ressaltar que para tudo se encontra uma passagem bíblica. O chavão é: Está na Bíblia. Satanás usou esta técnica com Jesus quando lhe disse: lança-te daqui abaixo, porque está escrito. (Mateus 4:6). E citou para Jesus o , para que Jesus se atirasse do pináculo do templo, afirmando que os anjos do Senhor não o deixariam cair. Jesus respondeu a Satanás: " Também está escrito. Deuteronômio 6:16 para mostrar a Satanás que não basta apenas usar da autoridade da Bíblia em textos isolados, ela é um todo, e interpreta-se a si mesma. Apesar de todas as circunstâncias a Bíblia continua e continuará sendo o único livro verdadeiro e digno de confiança. Tem um povo verdadeiro Adolf Hitler quase destruiu o mundo porque achava que os alemães eram uma raça pura, superior e que só eles deveriam mandar e governar o planeta, mas os seus ideais não permaneceram. Os judeus foram considerados para Deus um povo especial, o qual ele escolheu para se manifestar (Deuteronômio 7:6). Hoje, o povo de Deus não é caracterizado pela raça, etnia, mas por ter nascido de novo (João 3:3-8). É um povo chamado e escolhido por Deus, mediante Jesus Cristo (Gálatas 3:28) (Romanos 9:21-25) (Romanos 9:27-33), que recebeu Jesus como Salvador, tornando-se filho de Deus (João 1:12). Esse povo busca as coisas de Deus (Colossenses 3:1-3) é templo do Deus verdadeiro (I Coríntios 3:16), anda nos passos de seu Redentor , e espera a sua volta (Atos 1:11) . Deus tem tolerado a maldade do mundo somente por causa deste povo (Mateus 24:22). É um povo selado pelo Deus verdadeiro (Efésios 1:13). É importante que se tenha em mente que a igreja é composta de pessoas imperfeitas: A igreja não é um museu para santos, mas um hospital para doentes. Jesus disse que não veio chamar justos ao arrependimento, mas pecadores (Mateus 9:12). Obviamente, espera-se que as pessoas que compõem a igreja sejam transformadas em seu viver, mas elas ainda não atingiram a perfeição. Conta-se que uma irmã, insatisfeita com sua igreja, teria chegado para o seu pastor e lhe dito: "Estou à procura de uma igreja perfeita, com um pastor perfeito, diáconos perfeitos, ministro de música perfeito, regentes perfeitos, professores perfeitos, e membros perfeitos". O pastor lhe respondeu: "O dia em que irmã encontrar, por favor, não entre, senão a irmã vai estragá-la." Conclusão Alguém já disse: "Se a igreja não fosse de Deus os homens já teriam terminado com ela". Deus criou todas as coisas, e teve o bom gosto de criar tudo em ordem e perfeito. Mas o homem tem o poder de estragar tudo. A igreja foi criada por Jesus, que se entregou por ela (Efésios 5:25), ela é a noiva, bela, bonita e perfeita, e ele virá buscá-la (Apocalipse 19:7). Esta é a igreja verdadeira. Você é parte dela? Sua igreja tem estas marcas?
1 Todos os textos bíblicos citados neste estudo foram extraídos da tradução de João Ferreira de Almeida - Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original (ACF), editada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, exceto quando houver sido especificado em contrário. http://www.luz.eti.br/es_igrejaverdadeira.html

sábado, 11 de julho de 2009

A Igreja Apostólica a 313 A.D.

ALGUNS TÓPICOS SOBRE AHISTÓRIA DA IGREJA CRISTÃ (Da Igreja Apostólica a 313 A.D.) As crenças dos cristãos primitivos eram muito simples: Todos os seus pensamentos sobre a vida cristã tinham como centro a pessoa de Cristo: Criam em Deus, o Pai; em Jesus como Filho de Deus, Senhor e Salvador; criam no Espírito Santo; criam no perdão dos pecados e na eminente 2a vinda de Jesus. Crer, entretanto, que a Igreja Primitiva era imaculada e sem defeitos é um romantismo que não encontra respaldo na História da Igreja e nem no Novo Testamento. Aliás, o próprio Novo Testamento foi escrito tendo em vista as necessidades surgidas no dia a dia da Igreja. As epístolas, na maioria das vezes, foram escritas para corrigir a postura doutrinária de uma determinada igreja local ou para combater uma heresia incipiente (Gálatas . Escrita para combater os judaizantes; I e II Coríntios . Escritas para combater a frouxidão moral dos cristãos coríntios, bem como disciplinar o uso dos dons espirituais; I e II Tessalonicenses . Escritas para corrigir distorções no que diz respeito ao que aqueles cristãos acreditavam acerca da 2a vinda de Jesus.) O Apocalipse foi escrito para alentar uma igreja perseguida, demonstrando o senhorio de Jesus na História. Os Evangelhos foram escritos cerca de 60 a.D., uma vez que a geração que convivera com Jesus estava morrendo e o testemunho escrito é mais duradouro e menos susceptível a distorções que o testemunho oral. Como dissemos, a formulação das doutrinas foi gerada pelos desvios da fé. A fim de definir os que de fato poderiam ser chamados de cristãos, a igreja, frente ao desafio das heresias, passou a sistematizar pontos doutrinários que exprimiam a “fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos.” As Perseguições O primeiro grande desafio da Igreja foram as perseguições. A princípio o governo romano considerava a Igreja Cristã como uma das seitas do judaísmo, e como tal, uma religio licita. Posteriormente, com o crescimento do Cristianismo, passou a ver a igreja como distinta do judaísmo. À medida que crescia, o Cristianismo passou a sofrer cada vez mais oposição por parte da sociedade pagã e do próprio Estado. A primeira grande perseguição movida pelo Império deu-se sob Nero. A partir daí, outras perseguições ocorreram, mas elas nem foram de cunho universal, nem de duração contínua. Muitas vezes dependia do governo provincial. Após Nero, Domiciano (90-95) moveu curta, mas feroz perseguição aos cristãos. Já no segundo século, o imperador Trajano estabeleceu a política que norteou as perseguições ao cristianismo: o Estado não deveria gastar seus recursos caçando os cristãos, mas os que fossem denunciados deveriam ser levados ao tribunal e instados a negar a Cristo e adorar os deuses romanos. Quem não o fizesse deveria ser condenado à morte. Dessa forma, a perseguição não tinha um caráter de política de Estado, mas estava sempre presente, posto que somente em 313 (séc IV) o cristianismo passou a ser considerada uma religio licita. Assim, vários foram os mártires cristãos nesse início da igreja: Simeão e Inácio, no período compreendido entre os reinados de Trajano e Antonino Pio; Policarpo e Justino, o Mártir, sob o reinado de Marco Aurélio; Leônidas, Perpétua e Felícitas, sob o reinado de Séptimo Severo; Cipriano e Sexto, durante a perseguição movida pelo imperador Valeriano. Perseguiram ainda a Igreja os imperadores Décio, Diocleciano e Galério Basicamente havia duas linhas de oposição ao Cristianismo: popular e erudita. A oposição popular estava baseada em rumores e falsas interpretações dos ritos cristãos. Era voz corrente entre o povo que os cristãos participavam de festas onde havia orgias com incestos, inclusive, interpretando mal o fato de os cristãos se chamarem de irmãos e praticarem o “ágape”. Cria também o povo que os cristãos comiam a carne de recém-nascidos, isto devido ao que ouviam falar sobre a Ceia, na qual comiam a carne de Jesus, juntamente com os relatos do nascimento de Cristo. Já os homens cultos da época faziam acusações a partir da própria crença dos cristãos, tais como, “Por um lado dizem que é onipotente, que é o ser supremo que se encontra acima de tudo. Mas por outro o descrevem como um ser curioso, que se imiscui com todos os assuntos humanos, que está em todas as casas vendo o que se diz e até o que se cozinha. Esse modo de conceber a divindade é uma irracionalidade. Ou se trata de um ser onipotente, por cima de todos os outros seres, e portanto, apartado deste mundo; ou se trata de um ser curioso e intrometido, para quem as pequenezas humanas são interessantes.” Ao povo em geral, a Igreja respondeu chamando-o a ver a conduta moral dos cristãos, muito superior à dos pagãos. Aos cultos e letrados, a igreja respondeu através dos Apologistas: Discurso a Diogneto, Aristides, Justino Mártir, Taciano (Discurso aos gregos), Atenágoras (Defesa dos Cristãos e Sobre a Ressurreição dos Mortos), Teófilo (Três livros a Autólico), Orígenes (Contra Celso), Tertuliano (Apologia), Minúcio Félix (Otávio). As Heresias Ao lados das perseguições externas, o Cristianismo enfrentou um inimigo muito mais terrível, posto que interno, através de heresias, algumas delas propostas por líderes da própria igreja. As primeiras heresias enfrentadas pela Igreja vieram dos judeus convertidos, problema já enfrentado por Paulo na igreja da Galácia. Os ebionitas, eram farisaicos em sua natureza. Não reconheciam o apostolado de Paulo e exigiam que os cristãos gentios se submetessem ao rito da circuncisão. No desejo de manterem o monoteísmo do Antigo Testamento, os ebionitas negavam a divindade de Cristo e seu nascimento virginal, afirmando que Ele só se distinguia dos outros homens por sua estrita observância da lei, tendo sido escolhido como Messias por causa de sua piedade legal. Os elquesaítas, por sua vez, apresentavam um tipo de cristianismo judaico assinalado por especulações teosóficas e ascetismo estrito. Rejeitavam o nascimento virginal de Cristo, mas julgavam-no um espírito ou anjo superior. A circuncisão e o sábado eram grandemente honrados; havia repetidas lavagens, sendo-lhes atribuídos poderes mágicos de purificação e reconciliação; a mágica e a astrologia eram praticadas entre eles. Com toda probabilidade se referem a essas heresias a Epístola aos Colossenses e I Timóteo. O ambiente gentílico também forneceu sua cota de heresias que atingiram a Igreja. O Gnosticismo, muito embora não possuísse uma liderança unificada e se apresentasse como um corpo doutrinário amorfo, foi terrível para a Igreja. Já vemos um gnosticismo incipiente no próprio período apostólico (Cl 2.18 ss; I Tm 1.3-7; 6.3ss; II Tm 2.14-18; Tt 1.10-16; II Pe 2.1-4; Jd 4,16; Ap 2.6,15,20ss). Nesse período, Celinto ensinava uma distinção entre o Jesus humano e o Cristo, que seria um espírito superior que descera sobre Jesus no momento do batismo e tê-lo-ia deixado antes da crucificação. Vemos João combatendo indiretamente essa heresia em João 1.14; 20.31; I João 2.22; 4.2,15; 5.1,5-6 e II João 7. No segundo século, esses erros assumem uma forma mais desenvolvida, muito embora continuassem como um corpo amorfo. A bem da verdade poderíamos dizer que houve “gnosticismos”, mas há pensamentos comuns às várias correntes gnósticas. Gnosticismo vem do grego, “gnosis”, que significa “conhecimento”. Para os gnósticos, a salvação era alcançada através do conhecimento esotérico de mistérios, os quais só eram revelados aos iniciados. Dividiam a humanidade em “pneumáticos”, “psíquicos” e “hílicos”. Os primeiros eram a elite da igreja, os que alcançavam o conhecimento que leva à salvação; os seguintes, eram os cristãos comuns, que poderiam alcançar a salvação através da fé e das boas obras; os últimos eram os gentios, irremediavelmente perdidos. Na cosmovisão gnóstica, tudo que era material era essencialmente mau, e o que era espiritual era essencialmente bom. Logo, o Deus do Novo Testamento não poderia ser o deus do Antigo Testamento. O deus do AT era tido como Demiurgo, o criador do mundo visível. Ainda na visão gnóstica, entre o Deus bondoso que se revelou em Cristo e o mundo material havia vários intermediários, através dos quais o homem poderia achegar-se a Deus. Sendo o corpo mau e o espírito bom, os gnósticos tendiam para dois extremos: alguns seguiam um ascetismo rigoroso, mortificando a carne, enquanto outros se lançavam na mais desregrada libertinagem. Outra heresia que mereceu o combate da Igreja foi a heresia de Márcion, filho do bispo de Sinope, que parece ter tido duas grandes antipatias: Pelo Judaísmo e pelo mundo material. Ensinava Márcion, à semelhança dos gnósticos, que Iavé, o Deus do AT não era o Deus do NT, este, o Deus supremo. Iavé era um deus mau, ou pelo menos ignorante, vingativo, ciumento e arbitrário. O mundo material e suas criaturas eram criação de Iavé e não do Deus supremo. Este, entretanto, apiedou-se das criaturas de Iavé e enviou Jesus, que não nasceu de uma mulher, posto que isso faria com que passasse a ser criatura do deus inferior. Jesus surgiu como homem maduro no reinado de Tibério, na Galiléia. Márcion rejeitou o Antigo Testamento, que até então eram as Escrituras aceitas na Igreja Cristã (o cânon do NT ainda não havia sido elaborado) por serem a palavra de Iavé, o deus inferior, e formulou um cânon para si e seus seguidores, que constava do evangelho de Lucas, expurgado do que ele considerava “judaísmo”, e das cartas de Paulo. Também ensinava Márcion que não haverá juízo final, posto que o Deus amoroso a todos perdoará. Negava a criação, a encarnação e a ressurreição final. Márcion chegou a formar uma igreja independente e seu ensino foi de um perigo terrível para a igreja, que na época não possuía um corpo doutrinário estabelecido e reconhecido por toda a cristandade. Como se não bastasse essas heresias, houve também as heresias dos Montanistas e dos Monarquistas. Os montanismo surgiu na Frígia, por volta do ano 150. Montano afirmava que o último e mais elevado estágio da revelação já fora atingido. Chegara a era do Paracleto, que falava através de Montano, e que se caracterizava pelos dons espirituais, especialmente a profecia. Montano e seus colaboradores eram tidos como os últimos profetas, trazendo novas revelações. Eram ortodoxos no que diz respeito à regra de fé, mas afirmavam possuir revelações mais profundas que as contidas nas Escrituras. Faziam estritas exigências morais, tais como o celibato (quando muito, um único matrimônio), o jejum e uma rígida disciplina moral. Já o monarquianismo estava interessado na manutenção do monoteísmo do AT. Seguiu duas vertentes: o monarquianismo dinâmico e o monarquianismo modalista. O primeiro estava interessado em manter a unidade de Deus, e estava alinhado com a heresia ebionita. Para eles, Jesus teria sido tomado de maneira especial pelo Logos de Deus, passando a merecer honras divinas, mas sendo inferior a Deus. O segundo, também chamado de sabelianismo, concebia as três Pessoas da Trindade como os três modos pelos quais Deus se manifestava aos homens. Reação da Igreja Face a essas ameaças, internas e externas, a igreja respondeu de várias formas. Vá vimos que os apologistas responderam às acusações assacadas pelos filósofos e pessoas cultas ao cristianismo. No plano interno, a igreja primeiro tratou de definir um Cânon, ou seja, uma lista dos livros considerados inspirados. Nesse período, havia inúmeros evangelhos, cartas, apocalipses circulando nas mais diversas igrejas. Alguns eram lidos em certas igrejas e não eram lidos em outras. Com o desafio de Márcion e também da perseguição sob Diocleciano, onde uma pessoa encontrada com livros cristãos era passível de morte, era importante saber se o livro pelo qual o cristão estava passível de morte era realmente inspirado. Não houve um concílio para definir quais os livros nem quantos formariam o NT. Tal escolha se deu por consenso, tendo alguns livros sido reconhecidos com mais facilidade que outros. Definiu também a igreja regras de fé, sendo a mais antiga o chamado Credo Apostólico, o qual resumia aqueles pontos de fé que o cristão genuíno deveria subscrever, e era claramente trinitariano (Creio em Deus Pai, todo poderoso, criador do céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; no terceiro dia ressurgiu dos mortos, subiu ao céu, e está sentado à mão direita de Deus Pai, todo poderoso, de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na santa igreja católica; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados, na ressurreição do corpo e na vida eterna). Paralelamente, a igreja percebeu que precisava organizar-se estruturalmente. Definiu então a sucessão apostólica e o bispo monárquico para garantir a unidade da igreja, surgindo então o que é chamado de Igreja Católica Primitiva, significando o termo “católica” = universal. Visto isso, podemos, até aqui, fazer um resumo gráfico do início atribulado da Igreja Cristã no império romano: Os Pais da Igreja O Estado Romano e as heresias encontraram adversários à altura no seio da Igreja Cristã, seja através de mártires anônimos, que deram suas vidas mas não negaram a Jesus, seja nos homens que começaram a formular as doutrinas muitas das quais esposamos até hoje. Estes homens são chamados de Pais da Igreja,cujos ensinos passamos a resumir: a)IRINEU:Nascido no Oriente e discípulo de Policarpo. Foi bispo de Lion. Escreveu Contra Heresias, no qual investe principalmente contra os gnósticos. b)HIPÓLITO:Discípulo de Irineu; menos dotado que seu mestre; gostava mais das idéias filosóficas que Irineu. Provavelmente sofreu o martírio em Roma. Sua principal obra se chama Refutação de Todas as Heresias,na qual ele contesta os ensinos gnósticos. c)Tertuliano:Homem de grande erudição, vívida imaginação e intensos sentimentos. De gênio explosivo, era naturalmente apaixonado na apresentação do cristianismo. Era advogado e introduziu termos e conceitos jurídicos na discussão teológica. Tendia a deduzir que todas as heresias provinham da filosofia grega, razão pela qual se tornou ardente opositor da filosofia. Seu fervor o levou a unir-se ao montanismo no final da vida. DEUS E O HOMEM: Consideravam que o erro fundamental dos gnósticos era a separação entre o verdadeiro Deus do Criador. Há um único Deus, Criador e Redentor. Deus deu a lei e revelou igualmente o evangelho. Esse Deus é treino, uma única essência que subsiste em três pessoas. Tertuliano foi o primeiro a asseverar a tri personalidade de Deus e a usar o termo “Trindade”. Em oposição aos monarquianos ele enfatizava o fato de que as três Pessoas são uma só substância, susceptível de número sem divisão. Entretanto, não chegou à verdadeira declaração trinitariana, posto que concebia que uma Pessoa estaria subordinada às outras. -O homem foi criado à imagem de Deus, sem imortalidade (sem perfeição), mas com a capacidade de recebê-la no caminho da obediência. -O pecado é desobediência e produz a morte; a obediência produz a imortalidade. -Em Adão, a raça humana inteira ficou sujeita à morte. Tertuliano afirmava que o mal tornou-se um elemento natural do homem, presente desde o nascimento, e que essa condição passa de uma geração à outra. É o primeiro indício da doutrina do pecado original. A PESSOA E A OBRA DE CRISTO: a)IRINEU: O Logos existira desde toda a eternidade e mediante a Encarnação, o Logos se fez o Jesus histórico, e daí por diante foi verdadeiro Deus e verdadeiro homem. A raça humana, em Cristo, como o segundo Adão,é novamente unificada a Deus. A morte de Cristo como nosso substituto é mencionada, mas não ressaltada. O elemento central da obra de Cristo teria sido sua obediência, com o que foi cancelada a desobediência de Adão. b)TERTULIANO: O Logos é uma Pessoa independente, gerada por Deus, da mesma substância que o Pai, embora difira deste quanto ao modo de existir como uma Pessoa distinta Dele.Houve um tempo em que o Filho não existia. O Pai é a substância inteira, mas o Filho é apenas parte dela, por ter sido gerado. Tertuliano, portanto, não conseguiu desvencilhar-se da teoria da subordinação, porém sua formulação foi importante na vinculação dos conceitos de “substância” e “pessoa” dentro da teologia. No tocante ao Deus-homem e Suas duas naturezas, Tertuliano foi superior a todos os outros Pais, à exceção de Melito, ao fazer justiça para com a perfeita humanidade de Jesus e afirmar que cada uma de suas naturezas reteve os seus próprios atributos. Para Tertuliano não houve fusão, mas a conjunção das duas naturezas em Jesus. No tocante à morte de Cristo, embora enfático acerca de sua importância, não é muito claro, pois não ressalta a necessidade de satisfação penal, mas apenas a de arrependimento por parte do pecador. Seu ensino é permeado por certo legalismo. Ele fala da satisfação dos pecados cometidos após o batismo mediante arrependimento ou confissão. Por meio de jejuns e outras formas de mortificação, o pecador é capaz de escapar da punição eterna. SALVAÇÃO, IGREJA E AS ÚLTIMAS COISAS a) IRINEU:Não foi totalmente claro em sua soteriologia. A fé é um pré-requisito para o batismo,entendendo-se fé não apenas como concordância intelectual da verdade, mas incluiria a rendição da alma, resultando numa vida santa. O homem seria regenerado pelo batismo; seus pecados seriam lavados e uma nova vida começaria dentro dele. b) TERTULIANO:O pecador, pelo arrependimento, obtém a salvação pelo batismo. Os pecados cometidos após o batismo requerem satisfação mediante penitência, ficando cancelada a punição após o seu cumprimento. Antevê-se a base do sacramento católico-romano da penitência. Com relação à igreja, voltavam ao judaísmo, identificando a igreja(comunhão dos santos) com a igreja visível (organização), atribuindo a esta a qualidade de canal da graça divina, fazendo com que a participação nas bênçãos da salvação dependesse de ser membro da Igreja visível. Devido à influencia do Velho Testamento, também passou para primeiro plano a idéia de um especial sacerdócio medianeiro. Em relação à doutrina da ressurreição da carne, os Pais citados foram seus campeões, baseados na ressurreição de Jesus. Os Pais Alexandrinos A Teologia Alexandrina, ou Escola de Alexandria, foi uma forma de teologia que apelou para a interpretação alegórica da Bíblia, e foi formada pela combinação extravagante entre a erudição grega e as verdades do evangelho. A Escola de Alexandria chegou até a lançar mão de especulações gnósticas na formulação de suas interpretações escriturísticas. Seus principais expoentes foram Clemente de Alexandria e Orígenes. Clemente não era um cristão tão ortodoxo quanto Irineu ou Tertuliano, mas como os apologistas, buscava uma ponte entre a filosofia da época e a tradição cristã. Tinha como mananciais do conhecimento das coisas divinas tanto as Escrituras quanto a razão humana. Orígenes nasceu em lar cristão e foi discípulo de Clemente, a quem sucedeu como catequista de Alexandria. Era o mais erudito dos pensadores da Igreja Primitiva e seus ensinos eram de natureza assaz especulativa. No final da vida foi condenado por heresia. Formulou o primeiro compêndio de teologia sistemática, chamado De Principiis. Nessa formulação,combateu tanto os gnósticos quanto os monarquianos. Conquanto tenha desejado ser ortodoxo, seus escritos traziam sinais identificativos do neo-platonismo, sem falar na sua interpretação alegórica, que abriu caminho para todas as formas de especulação e interpretação arbitrárias. DEUS E O HOMEM Orígenes alude a Deus como o Ser incompreensível, inestimável e impassível,que de nada necessita. Rejeita a distinção gnóstica entre o Deus bom e o Demiurgo ou o Criador deste mundo. Deus é uno e o mesmo no Velho e no Novo Testamento. Orígenes ensinou a doutrina da criação eterna. Também ensinou Orígenes que o Deus único é primariamente o Pai, que Se revela e opera através do Logos, o qual é pessoal e co-eterno com Deus Pai, gerado por Ele por um ato eterno. Para Orígenes o Filho é gerado e não produto de uma emanação ou divisão do Pai. Apesar disso, usa termos que subentendem haver subordinação do Filho ao Pai. Na encarnação, o Logos uniu-se a uma alma humana, que em sua preexistência se mantivera pura. As naturezas de Cristo são conservadas distintas, mas é sustentado que o Logos, pela Sua ressurreição e ascensão, deificou a Sua natureza humana. Quanto ao Espírito Santo, o ensino de Orígenes se distancia ainda mais da mensagem bíblica. Ele fala do Espírito Santo como a primeira criatura feita pelo Pai, por meio do Filho. Além disso, o Espírito não opera na criação como um todo, e sim somente nos santos. O Espírito possui bondade por natureza,renova e santifica aos pecadores, e é objeto de adoração divina. Os ensinos de Orígenes sobre o homem são bastante incomuns. A preexistência do homem está envolvida em sua teoria da criação eterna, pois a criação original consistiu exclusivamente de espíritos racionais, co-iguais e co-eternos. A atual condição do homem pressupõe uma queda preexistente da santidade para o pecado, o que deu oportunidade à criação deste mundo material. Os espíritos caídos agora se tornam almas e são revestidos de corpos. A matéria veio à existência com o propósito precípuo de suprir uma habitação e ser meio de disciplina e expurgo desses espíritos caídos. Já Clemente não foi claro na sua exposição do Logos. Em algumas ocasiões ressaltava a subsistência pessoal do Logos, Sua unidade com o Pai e Sua geração eterna, e em outras O representa como a razão divina, subordinada ao Pai.Distingue ele entre o Logos de Deus e o Logos-Filho, que Se manifestou em carne.Clemente não tenta explicar a relação entre o Espírito Santo e as demais Pessoas da Trindade. A PESSOA E A OBRA DE CRISTO Ambos ensinam que o Logos tomou a natureza humana em sua inteireza, corpo e alma, tendo-se tornado um homem real, o Deus-homem, embora Clemente não tenha conseguido evitar totalmente o docetismo. Dizia que Cristo comia, não porque precisasse de alimentos, mas para que Sua humanidade não fosse negada, além de ser incapaz das emoções de alegria e tristeza. Para Orígenes a alma de Cristo era preexistente, como todas as outras almas. Acerca da obra de Cristo, Clemente alude à auto-rendição de Cristo como um resgate, mas não reforça a idéia que Ele foi a propiciação pelos pecados da humanidade. Sua ênfase foi de Cristo como Legislador e Mestre. A redenção não consistiria tanto em desfazer o passado, mas em elevar o homem a um estágio ainda mais alto do que o do homem antes da Queda. Para Orígenes, Cristo foi um médico, um mestre, um legislador e um exemplo. Reconhecia também o fato de que a salvação dos crentes depende dos sofrimentos e da morte de Cristo. A morte de Cristo é apresentada como vicária,como uma oferta pelo pecado e como uma expiação necessária. Para Orígenes, a influência remidora do Logos se estenderia além desta vida, não somente osque tivessem vivido sobre a terra e morrido, porém, igualmente, todos os espíritos caídos, inclusive Satanás e seus anjos maus. Haverá uma restauração de todas as coisas. DOUTRINA DA SALVAÇÃO, AS IGREJAS E AS ÚLTIMAS COISAS. Os Pais alexandrinos ensinavam o livre-arbítrio do homem, capacitando-o a voltar-se para o bem e aceitar a salvação oferecida em Jesus Cristo. Deus oferece a salvação, e o homem tem a capacidade de aceitá-la. Apesar disso, Orígenes também alude à fé como graça divina. Seria um passo preliminar necessário à salvação. Mas isso representaria apenas uma aceitação inicial da revelação divina, precisando ser ainda elevado ao conhecimento e ao entendimento, daí prosseguindo para a prática de boas obras, que são o que realmente importam. Orígenes fala de dois modos de salvação, um mediante a fé (exotérico), e outro pelo conhecimento (esotérico). Certamente esses Pais não tinham a mesma concepção que o Apóstolo Paulo da fé e da justificação. Orígenes considerava a Igreja como a congregação dos crentes, fora da qual não haveria salvação. Embora reconhecesse o sacerdócio universal dos cristãos, também dizia haver um sacerdócio separado e dotado de prerrogativas especiais. Orígenes e Clemente ensinavam que o batismo assinala o começo da nova vida na Igreja, bem como inclui o perdão dos pecados. Conforme ambos, o processo de purificação iniciado na vida do pecador na terra prossegue após a morte. O castigo seria o grande agente purificador e a cura para o pecado. Orígenes ensina que, por ocasião da morte, os bons entram no paraíso, ou num lugar onde recebem maior elucidação, enquanto os ímpios experimentam as chamas do juízo,o qual não se deve ter como punição permanente, porém como um meio de purificação. Clemente afirmava que os pagãos tinham oportunidade de arrepender-se no hades, e também que a provação deles só terminaria no dia do juízo; Orígenes dizia que a obra remidora de Deus não cessaria enquanto todas as coisas não viessem a ser restauradas à sua primitiva beleza. A restauração de todas as coisas haveria de incluir o próprio Satanás e seus demônios. Apenas poucas pessoas entram imediatamente na plena bem-aventurança da visão de Deus; a grande maioria precisa passar por um processo de purificação após a morte (Vemos aqui o embrião da doutrina do Purgatório). Orígenes mostrou tendência por espiritualizar a ressurreição. Parece que ele considerava como ideal o estado incorpóreo, apesar de crer numa ressurreição corporal. (Antiga) Classe Nossa Identidade Pb. Rubens Cartaxo Igreja Presbiteriana do NatalEm Deus Faremos Proezas: Uma Igreja em Cada Bairrohttp://br.geocities.com/ipnatal (retorne a http://solascriptura-tt.org/IgrejasNosSeculos/ retorne a http://solascriptura-tt.org/)

A vida nos tempos de Jesus

COMO ERA A VIDA NOS TEMPOS DE JESUS? Este dois excelentes vídeos, muito bem explicado pelo autor, nos dá a entender como viviam os judeus...